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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Rosto com dois perfis

Renuncio ás palavras
e ás explicações.
ando pelos contornos,
onde todos os significados
são sutis, são mortais.

Não quero perder o momento
belo. Quero vivê-lo mais,
com a intensidade que exige a vida:
desgarramento e fulguração.

Então me corto ao meio e me solto
de mim:
a que se prende e a que voa,
a que vive e a que se inventa.
Duplo coração:
a que se contempla e a que nunca
se entende,
a que viaja sem saber se chega
- mas não desiste jamais.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta

Lya Luft

sábado, 10 de julho de 2010


“Sei que todos, algum dia, acordamos com a senhora desilusão sentada na beira da cama. Mas a gente vai à luta e inventa um novo sonho, uma esperança, mesmo recauchutada:vale tudo menos chorar tempo demais. Pois sempre há coisas boas para pensar. Algumas se realizam. Criança sabe disso.”


Lya Luft

terça-feira, 11 de maio de 2010

Mas há vento demais num á de suspiro..


Não é necessário “escarafunchar a alma do outro” para se comunicar. Há o dito sem palavras, o silêncio dos diálogos.

Lya Luft

"Desculpem, mas devo dizer: eu quero o delírio."


E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrario: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda.

Caio Fernando Abreu

domingo, 11 de abril de 2010

"Talvez eu precisasse é dos silêncios"


Vem me fazer inteira. Vem
mudar a criança que fui em feiticeira
sem medo de morrer por suas crenças.
Vem fazer, da minha fraqueza, força
para engrentar os meus fantasmas,
e sepultar nessa fogueira os teus.

Vem me transformar em mais
do que hoje sou: mais forte
e mais serena, mais confiante e mais dura
- mas também doce quando precisares.

Vem fazer de mim algo maior que eu.


Lya Luft

sábado, 10 de abril de 2010

"Fingir que te deixo livre é um jeito egoísta de amar."

Tenho medo das águas do destino,
e invadirem o que penso e faço,
numa linha de infinda
contradição.
Eu sou assim:
quero fugir mas chamo,
quero ficar mas me assusta
não ter em mim nada seguro
e certo.

Nunca receio a alegria,
para qual todos os milagres
são normais.
Mas quando tarda quem amo,
meu coração fica exposto
e aberto.

E mesmo assim eu persisto,
e ainda sim espero
ainda, como uma criança sozinha
atrás do muro.

quarta-feira, 3 de março de 2010

" É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar." Clarice Lispector


"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. (...) Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. "

Lya Luft