domingo, 15 de agosto de 2010

"Há muitas razões para duvidar e uma só para crer."


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade


"O caminho é este,
tem pedra, tem sol,
tem bandido, mocinho,
tem você amando, tem você sozinho,
é só escolher, ou vai, ou fica. Fui."

Martha Medeiros

Não me pergunte se eu ainda lhe amo. O cansaço se apoderou de uma parte de mim, que pertencia a você. Uma parte que já não sobrevivia com sua indiferença desfarçada, ao seu olhar ao comum.
Não me pergunte se sinto saudades ou se me esqueci de todo o pouco que havia sobrado de nós doi, porque não sinto e muito menos esqueci. Seu lugar em mim foi preenchido por uma lacuna totalmente exacerbada de células mortas que não se permitem ser vistas ao olho nu.
Agora, pergunte a si mesmo. O que você sente? Não está na hora de mudar? Já que diz que lhe da o maior valor possível, e transmite isso a todos, por que não transformar a mentira em verdade? Já ouvi dizerem por aí que a mentira dita por mil vezes acaba se tornando verdade.

"O pior de fugir de si mesmo, é que cedo ou tarde você se encontra. E quando se encontra, percebe que aquilo que você deveria estar correndo atrás acabou de ser encontrado. Por outro alguém."


Escrito em: Janeiro

"Lógica? Que se foda a lógica."

Tati Bernardi

sábado, 14 de agosto de 2010

Não tenho muito o que dizer sobre ela.
As únicas palavras que conseguem sair do papel, é que, ela, uma moça cansada, incompreensiva e masoquista. Vê as poucas pessoas como um enxame de abelhas desesperadas (a toa) porque alguém inconsequente e vulnerável ameaçou as tocar.
Depois da ameaça, só vieram as picadas. Os ferimentos. A raiva. A cequeira. E algo ardente. Muito ardente. Porém, um ardo que, ardia muito mais em quem picava.
A moça via coisas, que só essas coisas, ela compreenderia.Sua mente, se transformara em uma abelha, que tinha quebrado sua pequena asa e por dentro sentia-se tão impotente quanto um passarinho sem asa.
Enquanto reposição alguma chegava, sua rotina era a mesma. E isso dóia. Via todos os dias várias abelhas rainhas (ou que fingiam ser), e pensava que, seria bom, por um lado, ser apenas uma abelha, de lado; sem saber pra onde ir e como se repôr. Ver todas aquelas abelhas se juntando e resultando em vários enxames violentos, tão violentos... Ás vezes feria os olhos. Ou o coração de quem via. Só o dela. Os outros, eram os outros. Sua compreensão e razão ia até certo ponto. Uma hora ou outra hora passava dali. Mas sempre voltava.
Estaca zero.
Abelhas tentando se salvar e sendo tão violentas. - Que tipo de salvação seria essa?
Porém, sabia ela mesma que, possuia a obrigação de continuar sua rotina. Apesar de sua falta de escolha e liberdade. Possuia a obrigação de vestir-se todos os dias, acender a luz, repôr-se, e pensar no que ela terá de ser, hoje.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Ás vezes você é tão bobo e me faz sentir tão boba que eu tenho pena de como o mundo bobo era antes da gente se conhecer.

Tati
Você não grita nem acorda. Não há terror, mesmo sendo aterrorizante: é assim que é. E pior ainda, não se trata de um sonho. Começa a amanhecer. Ou a anoitecer. Ninguém sabe quando passa o trem. Nem para onde vai. E não se leva nada. Isso é tudo que sabemos.

Um amigo me chamou,
pra cuidar da dor dele.

Guardei a minha no bolso,

e fui.


Pálpebras de Neblina - Caio F.

domingo, 8 de agosto de 2010

EU — É possível um rio secar completamente?
ELA — Claro que é.
EU — Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
ELA — Alguns sim, outros não.
EU — Mas nunca mais?
ELA — Sei lá, acho que não.
EU — Você tem certeza?
ELA — Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
EU — Sabe?
ELA — O quê?
EU — Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia.

sábado, 7 de agosto de 2010


Apagar-me
diluir-me

desmanchar-me

até que depois
de mim

de nós
de tudo

não reste mais
que o charme.


Paulo Leminski

sexta-feira, 6 de agosto de 2010


"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros."

C.F.A

sábado, 31 de julho de 2010

prendia o choro,
e aguava, o bom do amor..
"Lá estou eu em mais uma mesa com taças de vinho pela metade, risos pela metade, fumaças desenhando algo que quase formou uma imagem, restos de couvert e bolinhas inacabadas e nervosas de guardanapo.
Olho pro lado e sinto uma saudade imensa, doída, desesperançada e até cínica. Saudade de alguma coisa ou de alguém, não sei. Talvez de mim, de algum marido fabuloso que eu tive em alguma encarnação, do útero da minha mãe, do meu anjo da guarda que está de férias em Acapulco, do meu avô que embrulhava sempre meu aparelho de dentes em um guardanapo e depois esquecia e jogava no lixo achando que era resto de algum lanchinho, de algum amor verdadeiro que durou um segundo, de uma cena perfeita que meu inconsciente formou na infância e que eu me encarreguei de acreditar como sendo meu futuro.
Meus amigos me adoram e certamente chorariam se eu morresse. Mas será que eles sabem que eu penso sempre na morte? Será que eles sabem que aquela garota alí no canto da mesa, de decote, de bolsa da moda, rindo pra caramba, contando mais uma de suas aventuras vazias e descartáveis, acorda todos os dias pensando: o que eu realmente quero com essa vida? Como eu faço pra ser feliz?
Será que eles sabem que se eu estou morrendo de rir agora, daqui a pouco vou morrer de chorar? E vice-versa? E isso 24 horas por dia? E isso mesmo com terapia, mesmo com macumba, mesmo com espiritismo, mesmo com meditação, mesmo com o namoradinho da semana. Será que eles sabem o tanto que eu sofro e o tanto que eu não sofro a cada segundo?
Meus amigos me adoram. Mas sempre que podem, tiram sarro da minha cara. Sempre que podem, me transformam na chacotinha da mesa: Tati não sabe nadar, Tati não se droga, Tati não bebe, Tati expõe sua vida no site dela, Tati não arruma ninguém que a ame de verdade porque é louca, Tati assusta os caras, Tati é boba e se apaixona sempre, Tati não leva ninguém a sério, Tati explode por tudo, Tati fala demais, Tati fala palavrão, Tati reclama demais…
Minha melhor amiga me ama muito, mas ela adora que eu seja o erro em pessoa só para ela se sentir o acerto em pessoa. Meu melhor amigo me chamou de infeliz um dia e eu nunca mais consegui rir da infelicidade dele. Meu outro amigo me adora, muito, mas se pudesse, de verdade, ele trepava comigo a noite inteira e nem me ligava no dia seguinte. Meus amigos me amam, muito, mas nem o máximo de amor de uma pessoa chega perto do que deveria ser amor. Amor não significa mais amor. E eu, mais uma vez, olho para o lado morrendo de saudade dessa coisa que eu não sei o que é. Dessa coisa que talvez seja amor.
Sinto um nojo enorme e desesperador de todos os afetos em pílulas que posso ganhar. Fulano me acha a melhor companhia do mundo mas, pensando bem, ele pode desfilar com modelos por aí. Fulano pensa em mim todos os dias mas, pensando bem, ele tem que curtir a vida com seu carro novo. Fulano se diverte horrores comigo mas, pensando bem, ele também curte aquela tia tatuada que eu nem sei quem é e no fundo to pouco me lixando. Fulano passeou de mãos dadas comigo naquele fim de tarde que mereceu nossos aplausos, mas, quer saber? Viram ele dois dias depois de dormir na minha casa com outra numa festa. Fulano me apresentou para todos os amigos e encheu minha geladeira de comida mas, quer saber, putz, qualquer garotinha do bar dos pseudo-intelectuais malas também pode ser interessante ou, caso não seja, ao menos tem um buraco. Odeio todas as minhas pílulas, odeio todos os amores baratos, curtos e não amores que eu inventei só para pular uma semana sem dor. A cada semana sem dor que eu
pulo, pareço acumular uma vida de dor. Preciso parar, preciso esperar. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar e mais ainda a dor que vem depois dos dias entorpecidos.
Eu invento amor, sim. E dói admitir isso. Mas é que não aguento mais não dar um rosto para a minha saudade. E não aguento mais os copos, as fumaças, os amigos, as intenções e as bolinhas de guardanapo pela metade. É tudo pela metade. Ao menos a minha fantasia é por inteiro. Enquanto dura.
No final bruto, seco e silencioso da melhor festa do mundo que nem começou, é sempre isso mesmo. Eu aqui tomando meu chá mate limão meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. Aí eu limpo a maquiagem com creme anti-sinais e percebo que não faz o menor sentido ser uma criança chorona preocupada com rugas. Aí eu me acho louca porque só tem duas coisas que eu realmente queria nesse mundo: um filho ou voltar a ser filha. E aí eu deito pra dormir e penso em sacanegem, mas também penso em coisas bonitinhas. E eu rezo pedindo a Deus que não espere mais eu ser legal para ser legal comigo, porque eu to esperando ele ser legal comigo para ser legal. Aí eu penso que ele já é legal comigo e que, talvez, eu já seja legal com ele. E que tá tudo bem. Mas se eu penso que tá tudo bem nesse segundo, isso só significa que vou pensar o oposto no segundo seguinte. E que eu escrevi “ele” sem maiúscula mesmo, porque amigo íntimo a gente não fica com essa coisa de endeusar. E eu queria que Ele fosse meu amigo íntimo, ou ao menos existisse. E quando vou ver, já dormi. Sozinha."

Tati B.
"Independente de tudo o que existe, é o amor que transforma, irrita, movimenta, embeleza, enfeia, impulsiona, destrói, liberta e prende. Em sua órbita, apenas distrações."


Martha Medeiros


"Tanto faz. Isso não é pra você.
Ou não tem que ser agora..."

terça-feira, 27 de julho de 2010



Há pessoas que nascem para serem sós a vida inteira. Eu, por exemplo. (...) Freqüentemente me assusto, pensando que a vida vai acabar sem que eu encontre um grande amor ou uma grande amizade, ou mesmo uma grande vocação que justifique esse isolamento.


Caio F.

domingo, 25 de julho de 2010

Vire essa folha do livro e se esqueça de mim
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz

Agora vá sua vida como você quer
Porém, não se surpreenda se uma outra mulher
Nascer de mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor


Vinicius de Moraes

Vídeo.


"... a raiva é mais mansa e eu me sinto capaz de suportá-la, a raiva cabe em mim porque não permanece, e as coisas só adentram em mim quando podem escapar em seguida, eu sufoco, sei bem, sufoco e quase esmago as coisas, as gentes também, apenas ultrapassam numa rapidez de quem não olha para trás e vai seguindo em frente, fraca demais para ser barreira, transparente, porosa feito cortina de fumaça, não, não exatamente, a fumaça ao menos faz os olhos ficarem vermelhos, provoca tosse, eu não consigo abalar ninguém, um plástico, material sintético, teve pena na certa, eu não quero que tenham pena de mim, dói mais que tudo os outros olhando de cima, constatando a fraqueza nossa, a nossa inferioridade, quero que me olhem do mesmo plano..."

Caio F. Abreu

sábado, 24 de julho de 2010

"Vence quem passa por essa vida rindo. E se o preço que se paga por ser um pouco feliz é ser um pouco idiota, dane-se."


Tati Bernardi