Eu sempre estive entre aspas. Ficar triste é um sentimento tão legitimo quanto a alegria. Reclamar do tédio é fácil, difícil é levantar da cadeira pra fazer alguma coisa que nunca foi feita. Queria não me sentir tão responsável pelo que acontece em meu redor. Felicidade é a combinação de sorte com escolhas bem feitas. Pessoas com vidas interessantes, interessam-se por gente que é o oposto delas. Emoção nenhuma é banal se for autêntica. Dar certo não está relacionado ao ponto de chegada, mas ao durante. O prazer está na invenção da própria alegria, porque é do erro que surgem novas soluções, os desacertos nos movimentam, nos humanizam, nos aproximam dos outros. Enquanto o sujeito nota 10, nem consegue olhar pro lado, sobe pena de ver seu mundo cair. O mundo já caiu, baby, só nos resta dançar sobre os destroços. Nosso maior inimigo é a falta de humor.
.Martha Medeiros
quinta-feira, 29 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
(…) Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.
.Martha Medeiros in Doidas e Santas
Você não vê nada além
"Somos passaro novo, longe do ninho"

Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros,
e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro também
Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também
Eu sei
Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone pode ser alguém
Com quem você quer falar Por horas e horas e horas
A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você
Mas não, não vá agora, quero honras e promessas
Lembranças e histórias
Somos passaro novo, longe do ninho
Eu sei.
Legião Urbana
domingo, 25 de abril de 2010
No momento não tenho mesmo nada. Só coisas escuras. Prefiro guardar comigo.
Mas gosto, gosto das pessoas. Não sei me comunicar com elas, mas gosto de vê-las, de estar a seu lado, saber suas tristezas, suas esperas, suas vidas. Às vezes também me dá uma bruta raiva delas, de sua tristeza, sua mesquinhez. Depois penso que não tenho o direito de julgar ninguém, que cada um pode — e deve — ser o que é, ninguém tem nada com isso. Em seguida, minha outra parte sussurra em meus ouvidos que aí, justamente aí, está o grande mal das pessoas: o fato de serem como são e ninguém poder fazer nada. Só elas poderiam fazer alguma coisa por si próprias, mas não fazem porque não se vêem, não sabem como são. Ou, se sabem, fecham os olhos e continuam fingindo, a vida inteira fingindo que não sabem.
Caio Fernando Abreu in Limite Branco
"Há anos peço o príncipe e só me mandam o cavalo."

Para vocês mulheres que desacreditaram dos homens, nem venham dizer que príncipes encantados não existem, pois eles existem, eles só não vem mais com uma roupa de galã branca em um cavalo branco, os príncipes encantados, são aqueles caras que dormem e acordam pensando em vocês, pensando em uma forma de fazer vocês felizes por mais um dia, pensando em arrancar um simples sorriso, algumas infelizmente não tem o príncipe encantado porque ao invés de escolhê-lo, escolheram ao bobo da corte por ser mais bonitinho e engraçado.
Tati B
sábado, 24 de abril de 2010
O jardim era tão bonito que ela teve medo do inferno.

Ao mesmo tempo que imaginário - era um mundo de se comer com os dentes, um mundo de volumosas dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por parasitas folhudas, o abraço era macio, colado. Como a repulsa que precedesse uma entrega - era fascinante, a mulher tinha nojo, e era fascinante.
- As árvores estavam carregadas. O mundo era tão rico que apobrecia.
"Não olhava pra ninguém, ninguém olhava pra ela"

Porque dá-las, então? Lindas e dá-las? Pois quando você descobre uma coisa boa, então você vai e dá? Pois se eram suas, insinuava-se ela persuasiva sem encontrar outro argumento além do mesmo que, repetido, lhe pacrecia cada vez mais conveniente e simples. Não iam durar muito por que então dá-las enquanto estavam vivas? O prazer de tê-las não significava grande risco. Enganou-se ela - pois, quisesse ou não quisesse, em breve seria forçada a se privar delas, e nunca mais então pensaria nelas, pois elas teriam morrido - elas não iam durar muito, porque então dá-las? O fato de não durarem muito parecia tirar-lhe a culpa de ficar com elas, numa obscura lógica de mulher que peca.
E também porque uma coisa bonita era para se dar ou para se receber, não apenas para se ter. E, sobretudo, nunca para se "ser". Sobretudo nunca se deveria ser a coisa bonita. A uma coisa bonita se faltava o gesto de dar. Nunca se devia ficar com uma coisa bonita, assim como que guardada dentro do silêncio perfeito do coração.
Mas, sem saber por quê, estava um pouco constrangida, um pouco pertubada. Oh, Nada demais, apenas acontecia que a beleza extrema incomodava.
Laços de Família
sexta-feira, 23 de abril de 2010
O que é bonito
É o que persegue o infinito mas eu não sou,
eu não sou não não
Eu gosto é do inacabado, o imperfeito, o estragado que dançou,
o que dançou
Eu quero mais erosão menos granito
Namorar o zero e o não e escrever tudo o que desprezo e desprezar tudo que acredito
Eu não quero gravação nao eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai e fica a obra mas eu persigo o que falta
não o que sobra
Eu quero tudo que dá e passa, quero tudo que se despe, se despede e despedaça
Lenine








