quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"Por muito tempo achei que ausência é falta. E lastimava ignorante a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim." 

[Ausência - Carlos Drummond de Andrade]
"Se quer saber minha opinião, nunca é tarde demais ou, cedo demais pra ser quem quiser ser. Não há limite de tempo. Comece quando você quiser. Você pode mudar ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que você encare de forma positiva. Espero que veja coisas que surpreendam você. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com um ponto de vista diferente. Espero que tenha uma vida na qual se orgulhe, e se você descobrir que não tem... espero que tenha forças pra conseguir começar novamente."

(O curioso caso de Benjamim Button.)
"Refugiei-me na doideira porque a razão não me bastava."
Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras;
e por tudo isso, ando cada vez mais só...
"Porque tudo é mesmo uma merda, mas depois melhora um pouco, quando de noite a namorada vem."
"Eu não nasci para viver neste tempo, sensível demais."
(...) pois havia momentos em que não se podia nem pensar nem sentir.
E quando não se consegue nem pensar nem sentir ...

...onde se está?

(Virgínia Woolf)
"Por que eu sou do tamanho do que vejo. E não do tamanho da minha altura"

domingo, 26 de setembro de 2010

"É difícil me iludir, porque não costumo esperar muito de ninguém. Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra e quem não sabe mentir direito. Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também. Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça, não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar."

sábado, 25 de setembro de 2010

Será que é você ou eu que não deixa? - ou nós -.

Me sinto inútil quando percebo que minha capacidade em afundar mágoas e perdoar você não me ocorrem nunca.


“Porque esse talvez seja o único remédio quando ameaça a doer demais: invente uma boa abobrinha e ria, feito louco, feito idiota, ria até que o que parece trágico perca o sentido e fique tão ridículo que só sobra mesmo a vontade de dar uma boa gargalhada”
 Caio Fernando Abreu in: Pequenas Epifanias 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

"Até que a morte nos separe é muito pouco pra mim. Preciso de você por mais de uma vida."
Tudo tem dois lados. Incrível. Isto foi bom de se acontecer, por um dos lados. Eu estava contente e confiante demais. Pés no último andar e cabeça já ganhando asas. Você entende? Compreendo que aconteceu isso. Eu precisava colocar meus pés no chão.  Mas, não deixe virar um pesadelo completo, por favor, lhe peço.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Deixo o espaço livre pra qualquer coisa entrar e sair - mas o espaço é pequeno, entendam. Muitos não conseguem vê-lo -. Meu amor por você rompe barreiras. Mas eu ainda estou aqui. Com as minhas. Você vê? Não tem limite. A chegada é a mesma, o meio é longo, e o fim, esse não chega nunca, meu bem.

Meus olhos estavam embaçados desde ontem, deitei na cama ao lado da janela e fiquei espiando a paisagem suja. Entretanto, meu quieto estado foi perturbado por um som de cigarra repugnante. Latejava em meus ouvidos e minha cabeça girava e meus olhos ardiam com a falsa luz. A quarta montanha queimava por trás das cortinas. Era tudo - ou quase tudo -. Só sei que era escuro e gelado.

Depois de alguns minutos, uma vetra de luz bem pequena surgiu entre a cortina e a janela. Era uma luz vermelha-amarela. Não se podia comparar á alguma luz clara ou branca, que seja. Era uma luz ardente. Tinha seu valor, poderia ser um início de caminho. Mesmo que fosse ardente. Era luz. Começo... Ou fim.

Começava a ventar, a brisa atravessava as cortinas e veio ao meu encontro. Apaguei as lâmpadas. Agora tudo estava escuro, fechado e silencioso, até que aquele estorvo, que chamamos de "luz" voltou. Pensei em porque você não me deixa em paz, e ela dizia que hoje, logo hoje, primeiro dia de primavera, ela precisava estar ali. Pra surgirem coisas novas, talvez. O desabroche de algumas coisas, podia ser. E dizia que tanto fazia se o que vinha de mim era verdadeiro, e que o mundo me enlouquecia de uma forma bruta, tanto fazia! E a morte, podemos assim chamá-la, não iria me aliviar; descanso, não iria me ouvir. Eu gritava alto mas ela tampava os ouvidos. Eu arregaçava as mangas e estava pronta para atacá-la, mas ela fugia, dizendo que eu ainda tenho muito o que fazer. E que NADA iria aliviar esta parte. Disse então, pra eu finalmente arregaçar as mangas pro que foi, e que eu não deixei ainda partir, e que isso doía, ardia por culpa minha. Me ordenou que olhasse pros lados, e percebesse presentes de primavera. Orquídeas, girassóis. Nessa manhã de primavera, surgiram duas flores na Orquídea de minha mãe, capaz de salvar ambições.Por que eu tinha de viver? O que é que você tanto guarda pra mim?

Se eu pudesse, jogava fora os piões nojentos, as avós ambiciosas, jogava fora políticos podres, gente falsa e burra. Antes valia a prostituição. Deixava os anjos e as drogas para infelizes. Mas gente não se joga fora. Não é como lixo - mesmo que alguns me façam desmentir esta fala - mas não se joga. De gente, se abraça e cuida.

Me disseram uma vez, que gente excessiva demais não tem remédio. Falam demais, beijam demais, se jogam demais, aparecem e querem demais; mentem por demasiado. Em outra vez, vi num metade sonho metade sonho real, uma garota de sete pés e sete dedos. Ia crescendo a medida que ela fazia algo "demais". Se multiplicava. Um monstro. A menina, apavorada, gritava e chorava. Pedia pelo pequeno, e queria isolar o demais. De tanto querer isolá-lo, cada vez mais o chamava. Tadinha. Não paravam de crescer dedos, unhas grandes, estrias nos pés.

No outro dia, a quarta montanha queimava de novo, sem nada fazer.

A luz apagava, voltava, apagava e voltava, apagava e voltava e assim por diante. Aquela reprise sem nenhum ideal, aquele inferno, só piorava minha constante insônia, e eu já estava me cansado deste fogo. Percebi que eu já estava acostumada com o acender e apagar das coisas. Me incomodava, obviamente, mas não fazia nada. Poderia dizer que era uma caixa fechada, isolada no meio de todo mundo que por ali passava, uma caixa no meio da estrada, mas a caixa, aquela caixinha ali, pequena, coitada, só se abria pra quem ela mesma quisesse.

Talvez meu pessimismo atinja camadas boas na minha vida. E em diante passaram a ficar ruins. Mas veja só, meu querido, existem camadas em mim que NUNCA mudam. Apesar de minha infelicidade continua comigo mesma, me pego de vez em quando sorrindo como nunca, leve, indiferente á qualquer dor que a senhora solidão possa me afligir. Observe como camadas em mim nunca mudam, tenho provas, sérias provas! Tenho a R., que devolve minha infância. O C., que considero meu cordão umbilical, pois me liga á ele e me conecta com o outro lado, me vive. Me faz amar. O único que tenho mais certeza que nunca quero perder. Me conforta, se é que me entendem. A F. Ah, a F, já me causou muitas dores, machucados que nunca parecem se transformar em leves cicatrizes. A S., tem um espaço em mim, que nada nem ninguém jamais tira. Mesmo se um dia, ela vir á querer.

Entendi finalmente que aquela luz, que se mudava em uma sequência só, se repetia porque EU queria. Porque acostumei. No fim da noite, fiquei pemsando e imaginando e criando uma luz clara, porém nem branca nem amarela, muito menos ardente. Não importava a cor, era o bastante pra acender algo já apagado em mim.

domingo, 19 de setembro de 2010

"Alguma coisa como um pressentimento fez com que suas mãos se chocassem de repente num entrelaçar de dedos. E suspeitou: por mais que tentasse racionalizá-la ou enquadrá-la, ela sempre ficaria muito além de qualquer tentativa de racionalização ou enquadramento. Mas não era medo, embora já não tivesse certeza de até que ponto o olhar dele mesmo revelava uma verdade óbvia ou uma outra dimensão de coisas, inatingível se não a amasse tanto. Essa dúvida fez com que oscilasse, de tal maneira precário que novamente precisou falar:
– Você não passa de um substantivo feminino — disse, e quase sem sentir acrescentou - ... mas eu te amo tanto, tanto.
Recompôs-se, brusco. Não, melhor não falar nada. Admitia que não conseguisse controlar seus pensamentos, mas admitir que não conseguisse controlar também o que dizia lançava-o perigosamente próximo daquela zona que alguns haviam convencionado chamar loucura."

bon vent à toi

- Mas você tinha prometido.
- Prometi e agora DesPrometo. Algum problema quanto á isso? Sabemos que muitas coisas ocorrem assim. Me deixa, e, procura algo de melhor pra você.
Olhava nos olhos dela como um cão sem dono, um cão amargurado que sentia-se sem nome e identidade. Vira-lata. Cadê meu osso?
Procurei fazer acupuntura, natação, academia, voltei a comer. Você me abriu o apetite e limpou meu apartamento de coisas runs e incensos queimados; me ensinou a pular corda e brincar de amarelinha. Me fez rever minha família que eu não via há muito tempo. Me fez voltar ao céu.
E agora, é quem corta minhas asas.
- Pega conselhos. Seus anjos parecem tão afagados.
Nessa hora, levantei da cadeira e minhas asas se soltaram. Aos que viram, pensavam que fosse Gabriel, ou talvez Querubins, Serafins, Tronos ou Ofanins, ou mesmo pura ilusão. Asas implantadas, poderia ser. Mas não era. Me sentia apenas como um homem que se sentiu amado e voou.
Me bateu sincera dor no peito e nos ombros, coluna vertebral, nuca e braços. Você me reviveu e agora quer que eu me livre deste... fardo. Como apenas eu fosse o responsável. Não é assim, querida. Mesmo com o nosso infeliz e acumulado amor, não irá tirar além de minha alegria; não irá me dar a insatisfação de perder a incapacidade de voar. Porque sim. Não podemos ficar á ponto da morte quando uma falsa possibilidade de amor vai embora. Por mais que doe, deixe essa dor quieta. Ás vezes ela vai embora, ás vezes, não. Uma hora, outra aparece. Outras vezes, não.
Talvez, pensei em encontrar em outra esquina, uma possibilidade ou salvação de vida. Mas não queria pensar no depois. Só na leveza de existir e o peso de perder alguém de forma cruel.

Pulei contra o vidro, e voei. Sem rumo.

"E o seu abraço será a moldura do meu corpo.
E a minha boca o pretexto
para o seu mais demorado beijo (...)
porque o nosso amor
será a coisa mais bonitinha do mundo.."

Marla de Queiroz

sábado, 18 de setembro de 2010

OK, eu sei que jamais vou derramar um copo de cerveja na cabeça de um homem, nem vou sair nua pelos parques protestando contra o uso de casacos de pele. Eu nunca vou fazer uma extravagância, e é isso que me assusta, porque uma piração de vez em quando pode ser muito bem-vinda. Você me entende? Eu não tenho medo de perder o senso. Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior, tenho medo do que me impede de falhar.

"Mas há vida"


Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.